Livros, música, cinema, política, comida boa. Isso tudo e mais um monte de tranqueiras dentro de um baú.

domingo, 24 de março de 2013

Parceria ímpar

Considere um disco em que participem dois artistas que cantem muito mal, um deles com um timbre quase insuportável e o outro que chega a desafinar. O que poderia salvar um disco assim? Talvez um repertório impecável ou uma execução instrumental primorosa ou, então, arranjos ótimos. Talvez nada disso consiga salvar o disco. Quem sabe, tudo isso, ao mesmo tempo, possa ser capaz da redenção.
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Pois é justamente isso o que ocorre com o disco Francis e Guinga, em que a deficiência na qualidade vocal destes dois excelentes compositores, arranjadores e instrumentistas, é suplantada por suas virtudes.
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No disco, suas sofridas vozes são acompanhadas pelos mais belos acordes produzidos ao piano por Francis Hime e pelo violão de Guinga. São dois craques cantando juntos, um, as músicas do outro, ora em conjunto, ora sozinhos, se autoacompanhando ou acompanhado pelo parceiro.
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Francis e Guinga são dois artistas ímpares. Suas composições e a forma de executá-las em seus respectivos instrumentos são únicas. Você pode não conhecer uma canção, mas se ela for de Guinga ou de Francis Hime, mesmo que seja a primeira vez que você a ouve, saberá quem é o autor. E isso não quer dizer que eles sejam repetitivos. Muito pelo contrário. Suas obras são tão complexas e tão especiais que à primeira audição já se sabe que aquela melodia, com tanto requinte, só pode ter saído da mente daquele artista.
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Francis e Guinga é um daqueles discos que a gente compra com a certeza de que vai gostar. Não é necessário ouvir previamente as faixas, nem ver o repertório, nem a foto na capa. Basta saber o nome do disco, procurar na loja, ir ao caixa e pagar. Pelo menos, foi isso que aconteceu comigo.
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Noturna (Guinga e Paulo Cesar Pinheiro) / Minha (Francis Hime e Ruy Guerra)

terça-feira, 19 de março de 2013

Superliga de volei

Sempre gostei de assistir aos jogos de vôlei pela TV e, há algum tempo, adquiri o gosto de assistir, também aos jogos de tênis. Acontece que só me interesso em assistir aos jogos femininos de ambos os esportes. Aos que dizem que o motivo desta minha preferência é a presença das beldades que desfilam pelas quadras eu confesso que é a mais absoluta verdade. Mas esse não é o único motivo.
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Além da questão estética, me desinteresso pelos jogos masculinos pelo fato de observar nas apresentações, tanto num esporte quanto noutro, uma predominância do uso da força em detrimento da técnica e, principalmente, da criatividade. No jogo feminino, pelo óbvio fato das meninas terem menos força que os marmanjos, elas são obrigadas a criar mais para atingir os objetivos e marcar os pontos. Resumindo, por todos os motivos, vejo muito mais graça nos embates femininos do que nos masculinos.
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A superliga de vôlei está entrando na etapa derradeira. Os times de Osasco e do Rio de Janeiro vão se encontrar na final, depois de terem enfrentado, nas semifinais, os times de Campinas e do Sesi, respectivamente. Estavam previstos 3 jogos para cada semifinal, mas não foi necessário em ambos os casos. Nas segundas partidas, aliás, tanto o time de Osasco quanto o do Rio de Janeiro despacharam seus adversários pelo placar de três a zero. Isso, entretanto, não quer dizer que os jogos tenham sido fáceis e desprovidos de emoção. Muito pelo contrário. Os jogos foram duros e emocionantes e os resultados aconteceram à custa de muita luta.
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Assisti ao segundo jogo entre Campinas e Osasco e a realidade é que, mais do que o conjunto ou a tática empregada, o verdadeiro motivo pelo resultado é que o time de Osasco tem melhores jogadoras do que o de Campinas. No caso deste confronto, a maior discrepância de qualidade se deu na posição de levantadora. Fabíola é melhor que Fernandinha. Inexplicável o fato de Zé Roberto Guimarães ter cortado a atleta do Osasco para levar a de Campinas na última olimpíada. Fernanda Garay, Sheila e Adenizia são melhores que Ramirez e Vasileva. Taisa bloqueia muito melhor que Natasha. Talvez só haja um claro equilíbrio na posição de líbero em que Suellen e Camila Brait se equivalem.
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Entre Rio de Janeiro e Sesi, a questão foi a mesma. Há uma clara superioridade das jogadoras do time carioca sobre as do time de São Paulo. Apesar de seus 43 anos, Fofão, a jogadora mais velha da superliga é uma levantadora mais experiente e mais criativa que Dani Lins. Na posição de líbero, Fabi não encontra competidora à sua altura, nem no time do Sesi e nem nas outras equipes do torneio. Mas é no ataque que o time do Rio de Janeiro destoa sobre a equipe paulista. Neste quesito, a força de Natália, a estatura da canadense Sarah Pavan e, principalmente, a agilidade de Gabi, com seus 18 anos, ultrapassaram muito a performance de Fabiana e Tandara pelo lado do Sesi.
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Entre Rio de Janeiro e Osasco, na final, não identifico favorito. Será uma boa disputa, com jogadoras mais experientes do lado paulista contra jogadoras fortes e jovens do lado carioca. A seleção brasileira vai estar em quadra, praticamente inteira. E se pensarmos em termos de futuro, é nesse jogo que poderemos ver nossa maior esperança e nossa maior preocupação. A esperança é Gabi, ao que tudo indica, a nova craque do Brasil nas próximas olimpíadas. A preocupação é em relação à posição de líbero, já que para Fabi, que terá 36 anos em 2016, não parece haver substituta.
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E para aqueles que acham que eu só me interesso pelas musas do vôlei, independentemente das qualidades técnicas, se eu fosse escolher a seleção baseado na beleza das jogadoras, meu time ficaria assim:
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Camila Brait, Dani Lins, Jaqueline, Bruna, Adenizia e Luciane.
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Não sei se ganharíamos o ouro olímpico, mas seria uma delícia assistir aos jogos.

domingo, 17 de março de 2013

Porque capitulei diante do Facebook

Assim que abri uma conta no Facebook, imediatamente, recebi um recado do Helmut, surpreso, perguntando se eu havia sido vencido pelo Face ou pela Cecília.
Sua surpresa se justifica, já que ele conhece a minha má vontade com essas modernidades. Aliás, esta má vontade com o Facebook, como com outros tipos de redes sociais, é menos pela modernidade do que pelo receio de me sentir invadido.
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Não tenho nenhuma intenção de me despir na frente do mundo, assim como não tenho nenhuma curiosidade sobre a intimidade das pessoas, sejam elas amigos, inimigos e, muito menos, celebridades. E se meu desinteresse pelo Facebook tem origem em meu pouco conhecimento desta ferramenta, meu desprezo pelo twitter deve-se ao fato de eu não me sentir capaz de expressar nenhuma ideia em menos de 140 caracteres.
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Por tudo isso, entende-se a surpresa do Helmut. E apesar de tudo isso, com a providencial ajuda da Cecília, abri uma conta no Face (já estou tirando onda de íntimo).
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Porque? Por vontade repentina de me expor? Pra bisbilhotar a vida alheia? Pra ver fotos de meninas bonitas? Pra curtir páginas engraçadinhas? Resposta: Nenhuma das anteriores.
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O motivo foi bastante trivial e pragmático. Acontece que a Battataria Suíça, um restaurante aqui de Campinas, do qual eu já falei num outro post, tem uma promoção, às quintas-feiras, em que, comprando um prato, o segundo é grátis, caso você tenha “curtido” sua página no Facebook. Desta forma, abri a conta, curti a página, comi a batata e voltei pra casa. Simples assim.
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E agora, estou aqui, meio sem saber o que fazer com isso.
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Já tenho mais de 20 amigos e percebo que este número é ridículo pelas comparações que faço com a quantidade dos outros. Percebo, também, que fico travado ante as solicitações que recebo de quem se convida pra ser meu amigo. Tenho, além disso, enorme constrangimento em solicitar a amizade de alguém. Já fiz isso com alguns amigos que tenho na vida real e, por enquanto, não fui negado por nenhum deles. Aos poucos, vou me soltando e disparando os convites para alguns conhecidos e colegas.
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Fica, apenas, uma dúvida: o que é que eu vou fazer com esse negócio? Afinal, por enquanto, não tenho nenhuma motivação em compartilhar alguma coisa que eu veja na internet com quem quer que seja. E esta falta de motivação não é reflexo de algum traço de egoísmo, mas, sim, à convicção de que a ninguém vai interessar os cantos por onde eu ando.
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De qualquer forma, enquanto não encontro uma utilidade pra essa geringonça, talvez ela já tenha servido, ao menos, pra ressuscitar este blog, que estava abandonado há mais de 2 anos.