Livros, música, cinema, política, comida boa. Isso tudo e mais um monte de tranqueiras dentro de um baú.

sábado, 8 de novembro de 2014

Combinações felizes

Vez ou outra, me repito neste espaço, principalmente quando falo de música. Talvez isso ocorra por eu estar ficando, cada vez mais, refratário com as novidades, fico tecendo loas àqueles cantores, músicos e letristas que mais admiro.

Já falei aqui que a cantora que mais tem me dado prazer em ouvir é Mônica Salmaso. Seu timbre me encanta e, talvez, eu só encontre paralelo, em questão de alumbramento, quando ouço Leny Andrade. Já fiz posts falando de Guinga, o compositor que mais me arrebatou depois de João Bosco. E entre os letristas, quem segue este blog, principalmente desde os tempos mais longínquos, sabe de minha predileção por Paulo César Pinheiro, ameaçada apenas pela admiração por Aldir Blanc.

Pois mais uma vez, estou aqui, me repetindo, mas para falar de um disco que reúne estes 3 artistas ao mesmo tempo. Trata-se de Corpo de Baile, o novo CD em que ela canta, exclusivamente, músicas feitas em parceria pelos dois.

Uma das coisas que mais me seduziram, no disco, foi a presença de algumas canções que eu ainda não conhecia. Apesar da minha má vontade em relação a novos artistas, tenho muita ânsia em conhecer obras novas daqueles que eu admiro. É este o caminho que me permito para degustar o novo.

Como sói acontecer nos discos desta cantora, as faixas contam com um naipe de instrumentistas de primeiríssima qualidade, suportados, na maioria delas, pelo piano de Nelson Ayres e os sopros de Teco Cardoso, o que, por si só, já é garantia de bom gosto e refinamento.

A faixa Curimã, uma das minhas preferidas, conta, ainda, com as participações luxuosas de Marlui Miranda numa fala incidental em língua indígena e da percussão do insuperável Robertinho Silva.

Só não dá pra falar que é o melhor disco de Mônica Salmaso, pois não se sabe o que virá no próximo. Só se sabe que será algo ainda melhor.

Curimã (Guinga & Paulo César Pinheiro) – Mônica Salmaso

domingo, 2 de novembro de 2014

Beatles ou Stones?

Gosto de ouvir o programa Fim de expediente, na rádio CBN, toda sexta-feira, às seis da tarde, quando volto do trabalho. Apresentado pelo ator Dan Stulbach, ao lado do escritor José Godoy e do economista Luiz Gustavo Medina, o programa é leve e divertido, embora, às vezes, aproxime-se do limiar de um ponto de vista conservador, numa expressão do pensamento da sociedade coxinha.


O programa é sempre mais interessante quando é ao vivo e recebe algum convidado e, nestas ocasiões, promove o quadro Boxe a três, em que são apresentadas algumas opções para a escolha da plateia, do convidado e dos próprios apresentadores. As opções variam segundo o tema do programa, mas, invariavelmente, há duas delas sempre presentes: Chico ou Caetano? e Beatles ou Stones?

À primeira pergunta eu fico, sinceramente, em cima do muro, já que tenho convicção de que minha vida teria sido muito menos feliz sem a música dos dois. Já em relação à segunda pergunta, não hesito em escolher os Beatles.

Embora eu considere que George Harrison, o melhor guitarrista dos Beatles, não seja tão bom quanto Keith Richards e que Charlie Watts seja muito melhor que Ringo Star, eu declaro a minha preferência pelo quarteto de Liverpool, mesmo achando que Mick Jagger seja um vocalista melhor que Lennon ou McCartney.

Minha escolha, na verdade, se dá devido a dois fatores. O primeiro está relacionado à qualidade das canções produzidas que, em minha opinião, apresentam melodia e letra superiores às dos Stones. O outro fator diz respeito à variedade de estilos e ao experimentalismo que os Beatles imprimiram ao seu trabalho ao longo da evolução de sua carreira enquanto os Roling Stones se fixaram na produção de um estilo de Rock um tanto imutável, abandonando a influência do blues do início da carreira.

E antes que alguém estranhe um post misturando Chico, Caetano, Beatles e Stones, eu mostro esta canção, uma das minhas preferidas, dos Beatles, lançada no álbum Revolver de 1966 e gravada no disco Qualquer Coisa, de Caetano Veloso, 1975.

For No One (Lennon & McCartney) – Caetano Veloso

As mulheres dos sonhos de cada um

 Quem vê a capa e olha os nomes no índice de O livro das mulheres extraordinárias de Xico Sá não consegue evitar que a lembrança nos remeta à época das revistas Ele Ela e Status, anos 70, na qual nossas solitárias sessões masturbatórias eram inspiradas em coxas, bundas e um solitário peito, sem o mamilo. Sim, naqueles primeiros tempos, só se podia mostrar um seio, nunca o par e sempre sem o mamilo. Mais tarde, o mamilo foi liberado e, muito mais tarde, os pelos pubianos. Era uma época em que a excitação era produzida por nossa imaginação, estimulada pelas imagens permitidas na censura do regime militar. Por mais que quisessem nos domar, as mulheres estavam em nossas cabeças.

Pois o livro de Xico Sá aborda tudo isso, mas não só isso. Ao lado de um justificado saudosismo dos peitos como vieram ao mundo e da revolta pelo fim dos pelos pubianos, a ode que o mais famoso exemplar do macho jurubeba faz a 127 mulheres em mais de 250 páginas trata de peitos, de bundas e de outras partes do corpo feminino como as cordas vocais e o cérebro. Xico sabe que, se a beleza e a gostosura de uma mulher nos embevecem, quando aliadas ao talento e à inteligência, podem nos levar à loucura. Sempre achei isso: beleza com inteligência é uma combinação explosiva.

Em cada uma das crônicas, ele tece loas às beldades através de referências musicais, literárias, cinematográficas e, principalmente, televisivas. Não deixa escapar as lolitas de hoje, mas faz reverência às musas que, embora o tempo já tenha lançado ao ostracismo, ainda habitam nossa lembrança e nossa imaginação.

Há nomes famosos e outros nem tanto, principalmente para quem, como eu, ando distante da TV e, por isso mesmo, desatualizado a respeito das belezas e do talento das meninas de hoje em dia. Por isso mesmo, a sugestão é ler o livro ao lado de qualquer equipamento que possa fornecer um acesso ao Google para ligar o texto à pessoa.

Por mim, faltam, ainda, alguns nomes, como o de Zezé Motta ou Denise Dumont. Mas este tipo de lista é absolutamente pessoal, assim como os sonhos são de cada um.