Assim que terminei de ler A Mosca Azul, de Frei Betto, escrevi um post falando do livro, da forma com que o autor descrevia sua visão de mundo e de como o poder pode deturpar ideais e corromper pessoas. Gostei do viés filosófico que ele escolheu para expor as idéias e justificar suas crenças. Lembro-me, entretanto, que senti falta, naquele livro, de uma narrativa mais factual, já que ele havia passado dois anos dentro do governo, numa função de assessor especial de Lula, sem status de ministro, mas com muita proximidade do presidente.
Pois agora, acabo de ler o livro O Calendário do poder, em que ele narra exatamente esta experiência que teve durante estes dois anos. E utiliza um formato de diário em que coloca suas impressões a respeito de tudo o que acontecia no dia-a-dia do governo.
Sem esconder sua discordância em relação à condução da política econômica pela dupla Palocci-Henrique Meireles, ele nos revela, também, as agruras para se relacionar com os ministros José Dirceu e Luiz Gushiken, investidos de super poderes e contaminados pela típica arrogância que o poder propicia.
Mostra sua luta inglória para impedir que o programa Fome Zero não fosse encarado como um programa assistencialista, o que acabou acontecendo por absoluta incompetência do próprio governo em mostrar sua verdadeira face. Mostrou como os dois ministros que estiveram à frente das políticas sociais, Francisco Graziano e Patrus Ananias, foram ineptos para conduzi-las.
Em sua narrativa, o que se percebe é uma pessoa absolutamente ideológica e com ações conduzidas na direção de conquistas para a parcela mais miserável do nosso povo. Não encontrou eco em nenhuma outra esfera do poder federal, esferas nas quais identificou claramente a ideologia neo liberalista, herança dos governos tucanos de Fernando Henrique Cardoso. Sem encontrar este eco, dois anos depois, cansado desta luta e convencido que, ele próprio, não tinha vocação para o serviço público, resolveu se afastar, sem, entretanto, romper formalmente com o governo.
É perceptível, também, uma certa dose de ingenuidade no trato da política de bastidores. Fica a sensação de um cordeiro no meio de uma matilha. Um cordeiro imperceptível que nem provoca a fome dos lobos, interessados em rebanhos maiores e mais suculentos.
Termina o livro reafirmando, claramente, sua fé no socialismo, mas reconhecendo as dificuldades em se lutar contra os interesses das elites dominantes. Reconhece, demonstrando certo cansaço, que não vê saída para questões tão primárias que ainda assolam o nosso país como a reforma agrária, a violência urbana, a defesa da natureza e a fome, que, inacreditavelmente, muita gente ainda insiste em negar a existência.

Sem esconder sua discordância em relação à condução da política econômica pela dupla Palocci-Henrique Meireles, ele nos revela, também, as agruras para se relacionar com os ministros José Dirceu e Luiz Gushiken, investidos de super poderes e contaminados pela típica arrogância que o poder propicia.
Mostra sua luta inglória para impedir que o programa Fome Zero não fosse encarado como um programa assistencialista, o que acabou acontecendo por absoluta incompetência do próprio governo em mostrar sua verdadeira face. Mostrou como os dois ministros que estiveram à frente das políticas sociais, Francisco Graziano e Patrus Ananias, foram ineptos para conduzi-las.
Em sua narrativa, o que se percebe é uma pessoa absolutamente ideológica e com ações conduzidas na direção de conquistas para a parcela mais miserável do nosso povo. Não encontrou eco em nenhuma outra esfera do poder federal, esferas nas quais identificou claramente a ideologia neo liberalista, herança dos governos tucanos de Fernando Henrique Cardoso. Sem encontrar este eco, dois anos depois, cansado desta luta e convencido que, ele próprio, não tinha vocação para o serviço público, resolveu se afastar, sem, entretanto, romper formalmente com o governo.
É perceptível, também, uma certa dose de ingenuidade no trato da política de bastidores. Fica a sensação de um cordeiro no meio de uma matilha. Um cordeiro imperceptível que nem provoca a fome dos lobos, interessados em rebanhos maiores e mais suculentos.
Termina o livro reafirmando, claramente, sua fé no socialismo, mas reconhecendo as dificuldades em se lutar contra os interesses das elites dominantes. Reconhece, demonstrando certo cansaço, que não vê saída para questões tão primárias que ainda assolam o nosso país como a reforma agrária, a violência urbana, a defesa da natureza e a fome, que, inacreditavelmente, muita gente ainda insiste em negar a existência.