Teimosia
Por isso, era de se esperar que eu odiasse o filme Coco antes de Chanel, sobretudo por tratar da vida de alguém que alcançou enorme notoriedade no mundo da moda, um dos assuntos pelos quais tenho mais desprezo na vida. De fato, dou um valor exageradamente pequeno a este tema.
Teimosamente, fui ver o filme mesmo assim. Surpreendentemente, gostei dele. Gostei do filme e do trabalho da atriz. Primeiramente, por não tratar quase nada de moda. E no que tratou, foi para mostrar o quanto revolucionária foi esta mulher. Nem todas as revoluções são feitas para libertar. A dela foi. Foi feita para libertar as mulheres dos espartilhos, dos penduricalhos, dos balangandãs exagerados. Sua revolução deu dignidade às mulheres.
O que mais me interessou no filme foi ver a vida sofrida na Europa do início do século XX, com sua elite desprezível e preconceituosa, sobretudo na França, a mesma coisa que já mostrou o filme Piaf – Um hino ao amor, do qual já falei por aqui. E se em Piaf a vida era sufocante, em Coco antes de Chanel, o que chama a atenção é a falta de esperança, falta de esperança no amor, sobretudo. A fase áurea de Coco Chanel, no filme, não é mostrada. Por sorte. Eu teria muito tédio em assistir a um filme que falasse de moda.










