Já ouvi dizerem que, depois de todo o mal feito por Bush, até um poste se elegeria presidente dos Estados Unidos, contanto que fosse candidato pelo partido Democrata. Pode até ser. Afinal, além das traquinagens feitas pelo Júnior, é necessário reconhecer a tradição de alternância no poder entre os dois partidos. Some-se a isso o fato de que John McCain, o candidato republicano, tem o carisma de uma parede caiada.
A sociedade americana está, há muito tempo, extremamente dividida. Democratas e republicanos, conservadores e progressistas, Texas e Califórnia. Convive, de maneira surpreendente, o que há de mais retrógrado com o que existe de mais moderno em termos de comportamento e tolerância. É difícil prever até quando essa convivência será pacífica.
Depois de duas eleições absolutamente questionadas, em que Bush venceu com o país dividido, é natural e até mesmo esperado que os democratas levem, desta vez.
Posto isso, quando tudo parecia certo pros democratas, eis que, ironia do destino, surgem os dois candidatos mais carismáticos que este partido já teve nos últimos anos. Esta situação está dividindo as opiniões e acirrando tanto a disputa que pode ser que isso acabe favorecendo o candidato conservador.
Um agravante nesta situação é o fato de disputarem a preferência do eleitorado democrata, uma mulher e um negro. O que poderia parecer um sinal de modernidade e gerar uma expectativa otimista nos mais progressistas, pode ser mais um fator desagregador. Pra piorar, nem Obama e nem Hilary estão alinhados com os movimentos negro e feminista, respectivamente. Obama não é Martin Luther King. Não é Malcolm X e nem Jesse Jackson. Obama pensa e age como branco. Hillary não é Betty Friedan nem é Camille Paglia. Hillary pensa e age como homem.
O maior perigo é que o exagerado preconceito da sociedade americana acabe enfraquecendo a candidatura democrata e que um poste que parece uma parece branca seja eleito presidente dos Estados Unidos. Só uma coisa alivia: nem um poste, nem mesmo uma parede caiada, podem ser piores do que Bush Jr.