Livros, música, cinema, política, comida boa. Isso tudo e mais um monte de tranqueiras dentro de um baú.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mapeando Barão Geraldo

Quando viemos de São Paulo, 7 anos atrás, e fomos morar em Valinhos, nossa primeira ocupação foi começar a mapear a cidade. Após identificar bons açougues, quitandas e supermercado, ficou absolutamente claro, pra nós, que a cidade não ofereceria opções gastronômicas e culturais que aplacassem nosso apetite. Começamos, então a mapear Campinas, pertinho dali.

Depois de alguma perda de tempo no circuito Cambuí-Shoppings, descobrimos o centro da cidade e outros bairros menos festejados e passamos também a freqüentar Sousas e, com menor freqüência, Barão Geraldo. E agora, ironia do destino, 7 anos depois, eis que nos mudamos para Barão Geraldo.


Os campineiros, em geral, acham que Barão Geraldo é longe. Depois de Barão Geraldo tem o Guará, mais longe ainda. Depois do Guará tem o Village e a Vila Holândia, dois fins-de-mundo. Pois fomos morar mais longe do que o fim-do-mundo. É tão longe que já nem é Campinas. É Paulínia. Pois bem. Mesmo sendo em Paulínia, é por Barão Geraldo que chegamos até em casa e é por isso que nossa atual ocupação está sendo mapear este bairro.

Pra começo de conversa, Barão Geraldo nem é um bairro. É um sub-distrito, quase uma cidade. Desconfio, aliás, que seja maior que Valinhos. Dos lugares que já conhecíamos, aquele que temos ido com maior freqüência é a Casa da Moqueca.

Como o nome diz, a casa é especializada em peixes e frutos do mar. Até a semana passada, ostentava no muro uma faixa em que anunciava uma promoção de 10 pratos à base de camarão a R$ 39,00 para duas pessoas. Experimentamos quase todos e, de fato, além de muito saborosos, a quantidade é farta, dando, eventualmente, para alimentar 3 pessoas. A faixa saiu do muro, nessa semana. Eu liguei pra lá, na esperança de que a faixa tivesse sido retirada para lavar, ou coisa do tipo. Doce ilusão. A promoção acabou e os preços dos pratos voltaram ao seu patamar normal de R$ 53,00 a R$ 56,00. Mesmo assim, ainda vale a pena.

Os outros lugares que já conhecíamos são a Casa São Jorge, o Bar Pantanal, o Empório do Nono, o Seu Pimenta e a Estação Santa Fé. Ainda não fomos a esses lugares, pois estamos excitados com o mapeamento do que é misterioso na cidade (opa! no bairro).

Padarias e açougue:

Há 3 padarias interessantes. A mais tradicional delas é a Padaria Alemã. Parece aquelas padarias de cidade do interior de 30 anos atrás. Tem muita coisa interessante, de dar água na boca. Quase chegando no Guará, tem a Panetteria di Capri que é meio fashion e é, das 3, a que menos gosto. Tem uma gente meio metida a besta e o pão nem é lá grande coisa. Além do mais, o atendimento é antipático. No Guará, tem a Padaria Casa Grande, bem pequena, de cujo forno saem coisas bem interessantes, como alguns pães recheados e tortas. Deve haver mais coisa pra mapear. Estamos ainda no processo de busca.

Começamos a procurar um bom açougue. Nada. Pra maioria das pessoas que perguntamos, vinha a mesma resposta: - Eu compro carne no supermercado.

Eu não gosto muito de comprar carne em supermercados. Gosto, mesmo, é do velho e tradicional açougue. Aquele em que você estabelece contato com o açougueiro, que, com o tempo, reserva sempre um corte especial pra você. Depois de procurar muito, acabamos encontrando um bem interessante, que trabalha com gado red angus e produz uma lingüiça temperada com hortelã que é um pecado. Fica na rua Maria Tereza Dias da Silva, 698. Não sei o nome. O lugar é bom, mas o preço é salgado. Temos que procurar mais.

Restaurantes:

Desde que chegamos aqui, com a ajuda da Veja Campinas, do site Barão em foco e navegando meio sem rumo na Internet, estamos checando os lugares. Alguns são bem interessantes. Outros, nem tanto.

O pior, até agora, é um restaurante que fica bem no começo da Av. Albino José Barbosa Oliveira chamado Universo Massas. Sempre tive curiosidade em relação a este restaurante. Sua localização é estratégica e imponente. E em suas paredes, pôsteres gigantescos prometem uma quantidade inimaginável de massas, pizzas, carnes e sobremesas, em sistema de rodízio e a preço fixo. Sou glutão e não sou inocente. Sei que não dá pra fazer milagre e fui pra lá convicto de que seria ruim. O problema é que o lugar é muito pior do que ruim. É péssimo. Pior que péssimo. E o preço nem é tão baixo como eu supunha (o que não iria compensar tanta ruindade). Fujam!

Outro restaurante que não vale a pena voltar é o Via Roça. A comida é até boa. Mas o restaurante é longe, é longe, é longe até não mais poder. Comida mineira, bem feita e honesta. Preço compatível. Mas é muito longe! É no Village. Na verdade, é depois do Village e olha que o Village é longe. Só se justificaria ir até lá se a comida fosse esplendorosa. Mas é uma comida apenas boa. Como a comida que eu consigo fazer em casa.

Uma tranqueira é o restaurante Casa da Vó, no Tilly Center. Aliás, pelo que eu pude ver, não há nenhum motivo pra eu ir ao Tilly Center novamente.

Fomos também ao Bar do Jair. É um boteco daqueles cheios de gente, cujo prato principal é a coxinha, enorme, com mais de 20 opções de recheio. Fomos, a Clélia, a Cecília e eu e não conseguimos comer duas coxinhas cada um. O salgado é grande praca. Descobrimos também que, no final das contas, o único recheio que combina com coxinha é mesmo o de frango.

Pizzarias, fomos em 3. Vila Ré, pertinho da entrada de Barão é uma casa pequena, simples e simpática. O atendimento é bom e a pizza é boazinha. Isso é pouco. Pelo menos pra nós, pizza tem que ser ótima. Na Av. Santa Isabel há a Pizzaria Fiori. Bem requenguela, lembra as pizzarias de bairros pouco festejados de São Paulo, como Ipiranga ou Cambuci. O atendimento é desatento, quase hostil. A pizza, surpreendentemente, estava boa. Ao menos os primeiros pedaços, quando a fome era sufocante e a massa estava crocante. A segunda metade não foi tão sedutora. De positivo, sem dúvida, o preço. Comemos e bebemos, eu e a Clélia, gastando R$ 30,00.

A melhor pizzaria é a mais próxima de casa. Quase chegando no Guará. É a Gregória. No começo, evitamos esta pizzaria, pois ela estava sempre vazia. Aquilo nos incomodava. Pizzaria sempre enche. Até pizzaria ruim sempre enche. E sempre que passávamos em frente a ela, a mesma coisa, suas mesas estavam sempre vazias. Um dia resolvemos arriscar e descobrimos que o salão principal da casa fica nos fundos. E estava, evidentemente, cheio. Foi a única pizzaria de Barão em que já fomos mais de uma vez. O cardápio é parecido com o das pizzarias Brás ou Babbo Giovani. Os preços também. A pizza, no entanto, está um degrau abaixo. A rigor, pra comer pizza boa em Campinas, melhor ir pro Cambuí.



Picanha de Ouro é uma churrascaria mediana. A grande vantagem é o preço, realmente bem baixo. Isso torna uma visita a ela um bom programa, principalmente se você for bastante paciente no que diz respeito ao atendimento dos garçons. Se estiver a fim de comer uma carne de primeira, então é melhor ir pro Cambuí, no Cenário ou pro Chapadão, no Omar.

Fomos ao Recanto do Barão a fim de comer arroz feijão e carne. Uma comida que fosse parecida com a do Feijão com Tranqueira. Ao chegar lá, percebemos que o cardápio é quase exclusivamente de frutos do mar. Acabamos pedindo uma porção de picanha aperitivo que estava muito boa, mas não era exatamente o que nós queríamos. Acabamos voltando lá, à noite, pra comer uma moqueca. Achei salgado demais. O prato e a conta. Prefiro a da Casa da Moqueca.

Há ainda outras comidinhas. A sorveteria Sabor e Sonho não conquistou, ainda. Mas sorvete é assim mesmo. Tem que experimentar vários sabores, até encontrar os preferidos. Por enquanto, tenho ficado no de maracujá e no de coco, bem bons, ambos. Ai que saudades da sorveteria Só Aqui, de Valinhos. Mas aquela, só lá.

A Battataria Suíça foi uma grata surpresa. O serviço é meio lento e a cozinha é demorada, mas quando chega aquele disco voador de batata recheada, quentinho e crocante, parece que nada melhor poderia acontecer. E tem, às sextas e sábados, uma música ao vivo bacaninha.

O hambúrguer do Greg é muito gostoso. Lembra o primeiro hambúrguer que eu comi, ainda criança, em São Paulo. Todos os hambúrgueres deviam ter aquele sabor. Só que eu acho que pagar R$ 14,00 num cheese salada é um pouco imoral. E o pior é que eu comi dois. Um hambúrguer não pode custar mais que uma moqueca de camarão.

Se a hora avança a madrugada e tudo está fechado, uma saída é o Ponto Final, ao lado da Batataria Suíça. Deve ir até 4 ou 6 da manhã. Mas esse, provavelmente, é o único motivo pra ir lá.

Ontem, fomos no Le Chef, um restaurante com pretensões de bistrô francês. Saímos de lá bem satisfeitos. Comi uma truta ao molho de vinho tinto e a Clélia um salmão ao molho de maracujá. Ambos acompanhados de um risotinho básico. Ambos ótimos. Uma saladinha simples e deliciosa de entrada e uma sobremesa meio sem graça. Tudo isso mais bebidas, gastamos menos de R$ 50,00. Foi surpreendente. Iremos voltar.

Enfim, este mapeamento, esta busca, esta garimpagem, está fazendo com que a gente, raramente, saia de Barão para comer. Faz tempo que não vamos pra Campinas. Aliás, íamos muito mais pra Campinas quando morávamos em Valinhos. E pelo que temos visto, navegando na Internet ou passando pelas ruas do distrito, há muito mais pra se aventurar. É só uma questão de tempo, apetite e dinheiro. Mas a gente chega lá.

9 comentários:

maristela disse...

ALVÍSSARAS, Arnaldo! Pensei que você tivesse desistido do blog! Fiquei feliz com sua visita lá no Clínica com a visão mais realista e menos apressada e pretensiosa que a minha. De toda forma, você não sabe o que é, proporcionalmente, a quantidade de sem-teto aqui em Porto Alegre, em especial nas cercanias de meu edifício. Para teres idéia, aqui já roubaram as letras do nome do edifício, as baguetes de alumínio que davam suporte para os vidros e, ontem, levaram também o trinco. E eu não moro "bem", como se diz, mas também não fico perto de nenhuma comunidade. Dureza, né? Será que Niemeyer gostaria de encerrar sua jornada por aqui? Hehehe

michele do carmo disse...

Super Guia Gastronomico!
Espero que se alguem digitar por estas informações no Google, ache aqui...

; )

Eli K disse...

Foi exatamente o que eu pensei ao terminar de ler o post (essa questão de ter links no buscador google)!
Pensei mais: os donos desses estabelecimentos, se forem atenados, também poderiam ler essas críticas!
Fiquei curioso sobre a Battataria.

Abração,
eLi
:-]

Vivien Morgato : disse...

Arnaldo, adoro essas dicas.;0)
Vou colaborar com seu "guia".

Casa São Jorge:

Um lugar com ares teoricamente descolados (?), mas com os quais implico um pouco: estilo "como a minha favela é poética", mas frequentado pela intelectualidade burguesa de chinelos, sacumé...
Música sempre ótima, irretocável, sempre os melhores de samba, samba rock, chorinho.
O caldinho de feijão já foi melhor, mas as porções ainda valem a pena.


o Bar Pantanal: ficou meio esquisito depois que colocou aquele letreito completamente fora de propóstio, prateado e estranho...mas tb se destaca pela música.
A gente se conheceu lá, não foi?




O Empório do Nono: vc ainda não foi? Putz, acho que vc vai adorar. Sugiro a porção mista que vc escolhe no balcão, com aqueles petiscos maravilhosos, curtidos, calóricos e irresistíveis, com ares de empório antigo.

Seu Pimenta: acho sem graça, mas tem uma porção de linguiça bem interessante.

Estação Santa Fé: apesar de eu não ser uma fã do jazz, concordo que a casa é um destaque nesse quesito. Até eu, que não curto...acabo gostando.
Pizza de primeira, massa fininha e crocante.

Fora as comidinhas, o melhor de Barão é a Cooperativa, se não for pra dançar forro, pelo menos pra saborear uma xiboquinha.

beijocas e obrigada pelas dicas!

Clélia Riquino disse...

Vivien,
Já fomos a todos os lugares que você citou... Se notar bem, Arnaldo disse que já os conhecíamos/freqüentávamos, mas que não voltamos mais neles, depois da mudança, pois queremos mapear o que ainda há de desconhecido, pra nós, em Barão.
Nunca fomos à Cooperativa, pois não somos de dançar...
beijão,
Clé

MegMarques disse...

Arnaldo, fiquei muito feliz com sua volta ao blog! E que post mais delicioso: me deu uma fome...

bjo

Maria Helena disse...

Clélia,
O Arnaldo comentou no "post" sobre as dicas que a Vivinha gentilmente deu???? Interessava saber a opinião
dele, mas não achei.
É sempre bom, uma indicação séria e sensata, para evitar dissabores e constrangimentos.
Bjs

Clélia Riquino disse...

ops... falha minha, Mª Helena. Não quis desmerecer os comentários da Vivien, mas sim esclarecer que já conhecíamos os lugares qu'ela citou. Diferentes olhares e percepções são sempre bem-vindos, claro!
bjo,
Clélia

andrea disse...

nossa, literalmente uma delícia esse post. haha
um belo roteiro!!