Quando a Clélia me convidou para ir ao cinema assistir o filme Entre os muros da escola, de Laurent Cantet, fiquei com o pé atrás, pois, ao ler a sinopse, parecia mais um daqueles filmes no estilo Ao Mestre com Carinho. Aquela fórmula batida, escola cheia de alunos desajustados e o professor criativo que consegue tirar dos meninos aquilo que ninguém sabia que existia. No final, todo mundo se sai bem, são todos gênios incompreendidos, choradeira geral quando acaba a sessão.
Mesmo assim, resolvemos arriscar. Afinal, o filme era francês, tendia a fugir do modelito holiwoodyano e, acima de tudo, tinha sido bem indicado por uma amiga. Além do mais, fomos numa quinta-feira e às quintas-feiras, no cine Galleria, o casal paga meia entrada se der um beijo na frente da bilheteria. Aí juntou a fome com a vontade de comer.
O filme não era nada daquilo que eu temia. Não utilizou-se do velho clichê americano, mas isso não quer dizer que eu tenha gostado. Na verdade, não gostei e nem desgostei. Tinha coisas interessantes, mas não empolgava. É lento demais.
O ponto forte do filme foi mostrar os conflitos entre os descendentes de imigrantes numa Europa que não está conseguindo lidar com isso. Na sala de aula de um colégio público da França, praticamente não há franceses, com exceção dos professores. Há muitos africanos que não se entendem entre si, há árabes, há orientais. É uma verdadeira exposição de intolerância coletiva. E o filme escancara, também, a intolerância dos professores com os alunos. Não só a intolerância com sua origem, mas com uma geração que eles não conseguem entender, já que não enxergam que, num mundo como o de hoje, um professor não tem só o que ensinar, mas também muito o que aprender com seus alunos.
Mesmo assim, resolvemos arriscar. Afinal, o filme era francês, tendia a fugir do modelito holiwoodyano e, acima de tudo, tinha sido bem indicado por uma amiga. Além do mais, fomos numa quinta-feira e às quintas-feiras, no cine Galleria, o casal paga meia entrada se der um beijo na frente da bilheteria. Aí juntou a fome com a vontade de comer.
O filme não era nada daquilo que eu temia. Não utilizou-se do velho clichê americano, mas isso não quer dizer que eu tenha gostado. Na verdade, não gostei e nem desgostei. Tinha coisas interessantes, mas não empolgava. É lento demais.

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O filme mostra uma realidade que é a mesma em qualquer país. Alunos desajustados e professores despreparados. Isso é assim na escola pública na França, nos Estados Unidos ou no Brasil. E como é uma realidade, o final não é cor de rosa. O final é cinzento, como o mundo.