A motivação para escolher o francês foi a presença de Fanny Ardant. Sempre vou considerar sua presença em qualquer filme, motivo suficiente para vê-lo, mesmo que depois ele me desagrade. Já assisti vários filmes com ela, como Sabrina, O jantar, Elizabeth, Sem notícias de deus, 8 mulheres, entre outros, alguns aproveitáveis, alguns descartáveis. Não importa. A figura de Fanny Ardant sempre justificou cada ida ao cinema.


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Já a motivação para assistir ao novo filme de Woody Allen é o próprio Woody Allen. Sempre me sinto impelido a assistir seus filmes e isto ocorre mesmo que o anterior não tenha me agradado. Na verdade, acho que vou ao cinema em busca de reviver a sensação que tive quando assisti a alguns de seus filmes em minha juventude como Um assaltante bem trapalhão, Bananas, Zelig, A Rosa Púrpura do Cairo e, principalmente, Manhattan, meu preferido, sem dúvida. O fato de eu não ter me empolgado com seus trabalhos mais recentes, tem me levado a imaginar que ele esteja perdendo a mão, mas, talvez, não tenha mudado ele, tenha mudado eu. Afinal, andei revendo alguns filmes que me cativaram no passado e não tive nem a sombra da sensação de outrora. Mesmo Annie Hall, um filme que deixei de assistir, não sei bem por que motivo, mas que, tenho certeza, me cativaria naquela época, não me provocou nenhuma emoção especial quando o vi, finalmente, neste ano. Entre os recentes, só mesmo Meia Noite em Paris me causou algum impacto. Senti enfado ao assistir Para Roma com amor e, felizmente, Blue Jasmine, me provocou alguma satisfação, sobretudo a performance de Cate Blanchet, uma atriz que nunca tinha chamado minha atenção.
Por mais que estes dois filmes pareçam não ter nada em comum, consegui
perceber um elo entre eles, já que ao fim da tarde, me veio à mente um texto
antigo de Martha Medeiros, do qual eu gosto muito e que fala sobre traição.
Neste texto, chamado Traição e Semântica,
a escritora fala daquilo que ela considera, realmente, uma traição e a forma
com que, em geral, as pessoas aplicam esta expressão. Pois, nos dois filmes, ou
melhor, em cada um deles, as formas de traição são mostradas das duas maneiras que
ela trata no texto. E, vê-los no mesmo dia, me fez concordar, novamente, com
ela.