O Lobo de Wall Street, do Scorsese, foi um dos que mais gostei. Andei
lendo algumas críticas que o apontavam como um filme que estimulava ou, ao
menos, contemporizava com a busca do sucesso através de falcatruas. Achei que
não. O filme mostra um retrato fiel da sociedade americana, sua habitual ânsia
de enriquecer e, se os trapaceiros do filme utilizam meios criminosos para
ludibriar os clientes, as vítmas também exibem uma ambição desmesurada de
alcançar seus intentos, oferecendo aos vilões um terreno fértil para executar
as trapaças.
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Outra acusação que andei
lendo sobre o filme foi o excesso de cenas com drogas e sexo. Prefiro muito
mais isso do que quando excedem em cenas de violência. Se não dá pra escapar
dos excessos, prefiro ver bundas e genitálias do que ver sangue. O ponto de
destaque, no filme, é a atuação de Leonardo DiCaprio, cada vez um ator mais
maduro, apesar de seu eterno ar jovial e sua extrema beleza. Mas isso não é
culpa dele. Fazer o que? A natureza foi generosa, no caso.
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Philomena, de Stephen Frears, foi outro filme do qual gostei
bastante. Uma dura crítica aos desmandos da igreja católica, na Irlanda, um dos
países em que o catolicismo é o mais radical no mundo. Sempre me incomodou,
aliás, a forma com que a mídia ocidental é condescendente com este radicalismo.
Basta notar o fato de que, ao se referir a terroristas do Hamas, utilizam
sempre o termo “radicais islâmicos”. Nunca vi, entretanto, uma referência aos
terroristas do IRA como “radicais católicos”. No filme, a igreja usa a
religiosidade das pessoas para reforçar seu poder e justificar atrocidades, em
nome de um moralismo que não está tão distante dos dias de hoje, pois não trata
da época da inquisição, mas de apenas 50 anos atrás. Judi Dench, que concorre
ao prêmio de melhor atriz, está absoluta no papel. Seria minha favorita, mas
parece que Cate Blanchett é mais cotada por sua atuação em Blue Jasmine de Woody Allen.
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Embora seja um filme
sobre a escravidão nos Estados Unidos, a religião também é o pano de fundo de 12 Anos de Escravidão, de Steve
McQueen. É a religião que serve de justificativa para os algozes subjugarem
seus semelhantes de pele negra, através de interpretações oportunistas da
Bíblia e é, também, a religião, e principalmente a esperança de redenção, que
serve de ferramenta aos escravos para suportar os castigos. Por mais que seja
sempre necessário mostrar o que o homem é capaz de fazer quando trata de ser
cruel com um semelhante, achei que o filme exagerou na exibição das chagas
abertas pelos açoites dos chicotes.
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A mensagem mais
marcante do filme, para mim, foi a de quanto é possível reduzir o ser humano à
sua condição de animal quando alguém o escraviza, tirando dele tudo o que, de
positivo, é capaz de sentir, quebrando o seu espírito de solidariedade. O
ponto alto do filme, além da excelente atuação do ator inglês Chiwetel Ejiofor, é sua ótima fotografia com uma infinidade de belíssimos planos com
baixa profundidade de campo. Fiquei muito surpreso ao notar que ele não está na
lista dos concorrentes ao prêmio de melhor fotografia.
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