Terminado o Pan, todos os jornais, TVs e revistas estampam a tabela com o quadro de medalhas final. O Brasil conquistou 54 medalhas de ouro. E, pela primeira vez, ficou em terceiro lugar, sua melhor posição em jogos Panamericanos. Foi o pior resultado de Cuba, desde os jogos de 1975 em Cidade do México. E os Estados Unidos mantiveram a tendência de queda, que vem ocorrendo desde as duas edições anteriores dos jogos, num patamar bem abaixo dos números que obteve nas décadas de 1980 e 1990.
Este resultado provocou grande euforia na torcida e o típico ufanismo nos brazucas de plantão, com nosso país num lugar de destaque entre as 10 primeiras posições. Os números, entretanto, às vezes enganam. Pelo menos, se eles forem vistos de maneira simplista.

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Proponho um jeito diferente de olhar.
Quero considerar, inicialmente, que qualquer pessoa pode obter uma medalha de ouro. Basta que ela tenha acesso aos meios para treinar e que tenha algum talento. Se a gente considerar que nenhum país é privilegiado pela natureza, em termos de quantidade de talentos, podemos dizer que, proporcionalmente, todos os países teriam chances iguais de ganhar as medalhas. Se, além disso, todos os países dessem ao seu povo as mesmas chances de acesso aos meios para treinar e praticar esportes, essa proporção seria mantida. Assim, um país como o Canadá, que tem o dobro da população do Chile, obteria o dobro de medalhas de ouro. Usando este raciocínio, poderíamos medir, não o número absoluto de medalhas que o país alcançou e sim o índice de medalhas por milhão de habitantes que cada país obteve. E teríamos um valor que mediria, de certa forma, a capacidade que cada país tem de garantir o acesso de seus atletas aos meios para treinar e praticar esporte.
Fazendo este exercício, só por brincadeira, o quadro de medalhas do Pan 2007 ficaria assim:
Fazendo este exercício, só por brincadeira, o quadro de medalhas do Pan 2007 ficaria assim:

Eu sei que isso não vale nada. É só uma forma diferente de ver as coisas (outras há, certamente). E é só uma questão de fazer conta. Embora tenha gente que prefira fazer de conta.