Gosto muito de ler sobre
história, sobretudo história do Brasil. Sempre gostei e sempre tive atração
pelos livros escritos por Hélio Silva, que li nas décadas de 70 e 80, e,
depois, os de Eduardo Bueno, ainda no final do século passado. Já no começo
deste século, me deliciei com os 4 volumes de Élio Gaspari sobre a ditadura (envergonhada,
escancarada, derrotada e encurralada – nesta ordem). Nenhum deles foi
historiador de formação, mas todos me seduziram com um texto muito mais
palatável que os encontrados nos papéis acadêmicos.
Ler este tipo de autor,
agora que tenho uma historiadora em casa, ficou mais complicado. Para Eduardo
Bueno a Cecília torce o nariz, para os outros fica neutra, acredito, muito mais
para não me chatear. Foi por isso que tive alguma ansiedade ao dizer a ela que havia
comprado a trilogia dos livros de Laurentino Gomes. Lançados, logo viraram best
sellers e, isso, em geral, me faz torcer, também, meu próprio nariz. Percebi,
entretanto, que o nariz da Cecília manteve-se reto quando soube da compra, o
que me deixou aliviado e mais motivado para lê-los.

Uma das virtudes do
livro, talvez a principal, é não se ater aos estereótipos com os quais D. João
e Carlota Joaquina são tratados, usualmente. Embora a narrativa confirme o
caráter um tanto pusilânime do príncipe regente, mostra também, algumas
qualidades como estrategista e habilidades de negociador. Prova disso foi a
própria declaração de Napoleão, no final da vida, de que a única pessoa que
conseguiu enganá-lo teria sido, justamente, D. João.
O mais delicioso, no
texto, por sua vez, é a oportunidade de entender como foi forjada a nossa
sociedade, misto de uma corte que não guardava nenhuma semelhança às cortes
européias, sem fausto nem cultura, com um comportamento de desprezo em relação
a uma população plebéia com forte predomínio de homens escravizados. Um início
assim torna muito mais clara a compreensão da característica injusta e
preconceituosa que, até hoje, parte da nossa sociedade ostenta.
Ao final da leitura do
livro, a vontade que dá é, justamente, de continuar a trilogia. Engatar, de
imediato, uma nova marcha e atravessar a independência (1822) para chegar,
finalmente, à proclamação da república (1889). Não vai ser já, mas deve
acontecer logo. É que a lista de prioridades é longa.
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