Livros, música, cinema, política, comida boa. Isso tudo e mais um montão de tranqueiras dentro de um baú aberto.

domingo, 12 de agosto de 2007

Ilusão à toa

Ganhei, há mais de vinte anos, um livro de presente. Presente de um grande amigo. Um amigo dos tempos do curso secundário. Éramos cinco. Muito amigos. Grandes amigos. Terminado o curso, foi natural que deixássemos de nos ver com a freqüência diária, embora tenhamos continuado a nos ver com muita intensidade. Ao menos nos primeiros anos.

Aos poucos, a freqüência foi diminuindo, até que passamos a nos encontrar uma vez por ano. Como um evento. Religiosamente. E na dedicatória do livro, ele deseja que a gente continue se encontrando para sempre, ao menos uma vez por ano.

Não conhecia o livro e nunca tinha ouvido falar no escritor. Ele foi pra estante, pequena na época, e ficou esperando na fila. Outros livros foram chegando e entrando na frente dele. O tempo foi passando e, vez ou outra, eu o via na estante ou lia algo sobre ele num jornal ou numa revista, numa lista dos 100 mais importantes ou numa notícia sobre alguma nova edição.

Peguei-o pra ler na semana passada. Trata-se de O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati. Como o livro narra a história de um oficial do exército em sua primeira missão, foi inevitável me lembrar da época em que servi. Não guardo absolutamente nada de proveitoso daquela experiência. Só me lembro que, já àquela época, eu tinha uma firme convicção de que aqueles meses significaram o tempo mais perdido de toda a minha vida. Não tenho nada contra a carreira militar. Acho-a uma profissão tão digna quanto à de advogado, garçom, engenheiro, jornalista ou operário. Só não concordava, na época, em estar fazendo aquilo compulsoriamente. Aliás, não concordo ainda hoje.

Mas o livro não é sobre a guerra ou sobre histórias de caserna. É um livro que retrata a esperança e a desilusão. E o reacender da esperança que toda desilusão desencadeia. É um livro triste porque mostra o quanto uma pessoa é capaz de esperar que as coisas aconteçam sem que ela faça algo pra isso. E triste, principalmente, por mostrar que cada um de nós é capaz, em algum momento, de ter algum tipo de ilusão. Ganhar na loteria, achar o grande amor, encontrar um bom emprego. Todas estas coisas são possíveis, algumas mais difíceis, outras menos. Tudo, porém, pra acontecer, precisa de um gatilho, de um impulso.

É comum que as pessoas, em algum momento de suas vidas, se iludam de que as coisas vão acontecer naturalmente, sozinhas. Mas é muito triste que uma pessoa viva sua vida assim, esperando. Afinal, a esperança é a última que morre. Mas morre.

sábado, 11 de agosto de 2007

Homenagem

Estas músicas são em homenagem a ela, que completa, hoje, meio século de vida. Uma vida, da qual, metade foi passada ao meu lado. É a pessoa que mais me conhece, me entende, me mima. É quem me encontra quando me perco. É quem me equilibra e me conduz. E quando estou sozinho, seja triste, seja feliz, é nela que eu penso.

O amor que eu sinto por ela é daqueles que não dá pra medir e nem comparar.

É a pessoa mais generosa que eu conheço. E eu, o sujeito mais sortudo do mundo.


. pra Clélia

sábado, 4 de agosto de 2007

Voz e Violão

Das coisas que eu mais gosto, em música, está a combinação voz e violão. Simples assim, sem maiores interferências. E, mesmo o samba, de longe, minha preferência musical, me agrada ouvi-lo assim, desprovido do acompanhamento dos instrumentos de percussão. É claro que também adoro uma batucada, mas a música cantada e acompanhada apenas do violão é a que mais me emociona.

É muito bom quando aparece um artista ou um disco diferente, com um violão tocado de maneira pouco convencional, inventivo. E é justamente o que ocorre no disco Uma porção de Marias, em que Jane Duboc canta acompanhada pelo violão de Arismar do Espírito Santo. Me agrada bastante a voz de Jane Duboc, embora, às vezes, ela peque por alguns excessos. É bastante comum, em outros discos seus, algum floreado, uma certa afetação. Um timbre bastante melodioso de uma voz muito afinada, por vezes me dá algum enjôo. Não é o que acontece neste CD. Aqui ela está contida, sua voz límpida, bonita, bastante.

O instrumento original de Arismar do Espírito Santo é o contrabaixo. E foi assim que eu o vi pela primeira vez participando do grupo de Hermeto Paschoal, ainda na década de 70. Era um gigante barbudo e cabeludo, parecendo um ermitão, extraindo um som bastante peculiar de seu contrabaixo, quase percussivo. Arismar, aliás, também toca bateria e piano. Enfim, um músico completo. E é com o violão que ele nos brinda neste disco, utilizando-o, às vezes, como se fosse um contrabaixo, ou noutras, um instrumento de percussão.

O título do CD é um verso da canção Maria, de Ary Barroso e Luis Peixoto. E como o nome do disco sugere, algumas das faixas têm nome de mulheres, como Emília, Marina, Doralice.

É um disco delicioso e simples, que me encheu de prazer. Como tudo o que é simples.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A direita encolhida?

Com a morte de Antônio Carlos Magalhães, há quem diga que a direita ficou encolhida. Este raciocínio é reforçado pela saída, da frente dos holofotes, do ex-senador Jorge Bornhausen. De fato, os dois, cada um com seu estilo, em parte, conflitantes, seguraram por muito tempo a mesma bandeira, comandando o PFL, último dos partidos a se assumir, publicamente, conservador e de direita.

Agora, nem isto acontece. Adotando um novo nome, o de Democratas (parece piada, mas o assunto é sério), o PFL adotou, também, um novo discurso. Um passeio pelo site do “novo” partido nos permite ver que, publicamente, estão renegando sua história, abandonando o discurso neoliberal para adotar um outro que se aproxima mais do discurso social-democrata. Faz isto, claramente, ao perceber a perda de espaço eleitoral para outros partidos.

Mas talvez a direita não esteja encolhida. Talvez ela esteja escondida. Escondida em vários outros partidos com programas, aparentemente, menos reacionários. Escondida e pulverizada, principalmente no PSDB e no PMDB, já que estes, há muito tempo, abandonaram um discurso preocupado com avanços sociais. O PMDB de hoje não é o PMDB de Ulisses Guimarães. O PSDB de hoje não é o PSDB de Mário Covas e José Richa.

Por outro lado, pode ser que, de fato, a direita tenha encolhido. E tenha encolhido, justamente pela falta de necessidade de estar claramente exposta. Talvez tenha encolhido ao perceber que a sociedade está tão contaminada de conservadorismo e intolerância, que uma força que represente a direita já não seja tão necessária. Sobre intolerância, aliás, sugiro a leitura do ótimo texto do Bruno Ribeiro.

Diariamente, notamos sinais desta contaminação. Desde o claro posicionamento da grande mídia do lado direito do espectro político, até o surgimento de iniciativas, com posturas absolutamente elitistas, como esse novo "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros", também chamado movimento “Cansei”. Esta gente se diz, por exemplo, cansada de pagar impostos, mas nunca se ouviu, da boca deles, estarem cansados de ver crianças famintas implorando por dinheiro nos semáforos brasileiros. Afinal, contra isso, basta fechar o vidro do carro.

Estão cansados sim. Estão, na verdade, fartos. E não se conformam que a nossa sociedade possa, um dia, caminhar numa direção mais igualitária. Não se conformam que possa haver espaço para um regime, realmente, democrático, algum dia, no Brasil. Porque esta gente apregoa o liberalismo, mas não tolera a liberdade. Quer ter lucro, mas não quer correr riscos. Pede crescimento econômico, mas não aceita uma justa distribuição de renda.


O povo brasileiro é que está se cansando desta gente.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Fazendo as contas (ou fazendo de conta)

Terminado o Pan, todos os jornais, TVs e revistas estampam a tabela com o quadro de medalhas final. O Brasil conquistou 54 medalhas de ouro. E, pela primeira vez, ficou em terceiro lugar, sua melhor posição em jogos Panamericanos. Foi o pior resultado de Cuba, desde os jogos de 1975 em Cidade do México. E os Estados Unidos mantiveram a tendência de queda, que vem ocorrendo desde as duas edições anteriores dos jogos, num patamar bem abaixo dos números que obteve nas décadas de 1980 e 1990.

Este resultado provocou grande euforia na torcida e o típico ufanismo nos brazucas de plantão, com nosso país num lugar de destaque entre as 10 primeiras posições.
Os números, entretanto, às vezes enganam. Pelo menos, se eles forem vistos de maneira simplista.

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Proponho um jeito diferente de olhar.

Quero considerar, inicialmente, que qualquer pessoa pode obter uma medalha de ouro. Basta que ela tenha acesso aos meios para treinar e que tenha algum talento. Se a gente considerar que nenhum país é privilegiado pela natureza, em termos de quantidade de talentos, podemos dizer que, proporcionalmente, todos os países teriam chances iguais de ganhar as medalhas. Se, além disso, todos os países dessem ao seu povo as mesmas chances de acesso aos meios para treinar e praticar esportes, essa proporção seria mantida. Assim, um país como o Canadá, que tem o dobro da população do Chile, obteria o dobro de medalhas de ouro. Usando este raciocínio, poderíamos medir, não o número absoluto de medalhas que o país alcançou e sim o índice de medalhas por milhão de habitantes que cada país obteve. E teríamos um valor que mediria, de certa forma, a capacidade que cada país tem de garantir o acesso de seus atletas aos meios para treinar e praticar esporte.

Fazendo este exercício, só por brincadeira, o quadro de medalhas do Pan 2007 ficaria assim:
Eu sei que isso não vale nada. É só uma forma diferente de ver as coisas (outras há, certamente). E é só uma questão de fazer conta. Embora tenha gente que prefira fazer de conta.

domingo, 29 de julho de 2007

Fim do Pan

Não sou muito fanático por esporte. Na verdade, só gosto mesmo é de futebol. Mas com essa coisa do Pan 2007 no Rio de Janeiro, fomos bombardeados com notícias e transmissões de jogos e competições das mais diversas (algumas, estapafúrdias) modalidades. Acabei vendo alguma coisa.

O que eu mais gosto de assistir são os jogos de Volei. Volei feminino, já que é nesse esporte que se exibem as meninas mais engraçadinhas. Volei masculino, eu não tenho muito saco de ver, além do que, acho muita viadagem aquela coisa de ficar dando abracinhos a cada ponto conquistado.

Enfim, confesso que o que mais me interessa no Pan (ou numa olimpíada) é mesmo ver a beleza de algumas atletas. Sendo assim, elegi algumas musas que eu vi competindo na tela. A ordem é a alfabética:

Bia e Branca - Nado Sincronizado


Danielli Barbosa - Judô


Fabiana Beltrame - Remo

Fabiana Murer - Atletismo

Flávia Delaroli - Natação



Joana Costa - Atletismo



Juliana Veloso - Saltos ornamentais



Larissa - Volei de praia



Marta - Futebol (não é nenhuma beldade, mas bate um bolão)



Maurren Maggi - Atletismo



Monique Ferreira - Natação



Nayara Ribeiro - Natação



Patrícia Castro - Vela



Paula Pequeno - Volei (esta é a minha preferida)

sábado, 28 de julho de 2007

Oxalá, a perenidade

Imagine uma ótima cantora brasileira, bastante conhecida, acompanhada de um excelente violonista, cantando músicas de um de nossos mais importantes compositores. Gravam um disco e este disco só é lançado no Japão. Só a indústria fonográfica pode explicar uma coisa dessas. E mesmo que explique, não vamos conseguir entender. O importante é que agora foi lançado, pela gravadora Biscoito Fino, 12 anos depois de sair no Japão, o CD Sem você, em que a cantora Joyce, acompanhada de Toninho Horta, canta músicas de Tom Jobim.


A única coisa que me incomoda, um pouco, na Joyce, é a mania que ela tem de alterar algumas notas da melodia. Faz isso com a intenção de pôr um tempero na canção. Elis Regina fazia isso com a divisão, João Gilberto faz isso com a tonalidade, ambos de maneira magistral. Alterar a melodia, entretanto, é uma coisa que não me agrada. Como não me agrada o fato de Gal Costa, às vezes, alterar algumas palavras nas letras das canções. Tirando isso, acho Joyce uma ótima cantora e uma compositora de primeira.

Toninho Horta é proveniente da turma do Clube da Esquina. Virtuoso, tanto à guitarra quanto ao violão, é daqueles artistas incensados no exterior e pouco reconhecidos no Brasil, onde sobra espaço pros grupos de pseudo pagode e pras duplas sertanejas (música de corno!). É autor, junto com Fernando Brant, de Céu de Brasília, uma das canções mais bonitas que eu conheço.

A nossa indústria fonográfica, há tempos, tem fechado, sistematicamente, as portas aos artistas que não lhe garantam vendagens de discos esmagadoras. Àqueles que não se deixam dobrar pelo esquema do jabá. Àqueles que não se curvam aos “selecionadores” de repertório. A Biscoito Fino é uma exceção neste mercado, abrindo portas e janelas a quem não tem espaço na mídia.

Torcemos para que esta gravadora seja perene.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Pra não dizer que eu não falei


Escrevi um post, há uma semana, sobre o acidente com o avião da Tam. Na verdade, não escrevi sobre o acidente. Escrevi sobre o meu sentimento em relação à notícia. Nos dias subseqüentes, muita coisa saiu nos blogs que eu leio freqüentemente e também naqueles que eu leio raramente. Fiquei na dúvida se queria escrever sobre isso e, agora, passada uma semana, tenho uma percepção muito particular de como é que cada agente político está cumprindo o seu papel, em relação a este tema.

O Papel da oposição

A oposição, capitaneada pelo PSDB, aproveitou-se da tragédia pra sair atirando no governo. Não fosse isso, seria qualquer outra coisa. Afinal, tudo de ruim que acontecer é preciso capitalizar. Não estou dizendo que isto está certo. Mas é assim que as coisas funcionam, em política. O PT, aliás, quando era oposição, fazia a mesma coisa. Estão no papel deles.

O Papel da Mídia

A grande mídia, no Brasil, está pautada pela classe dominante. Mesmo porque os proprietários dos grandes jornais fazem parte dela. Aliás, um grande jornal ou uma rede de TV, fundamentalmente, é uma empresa que busca o lucro. Vive dos anúncios veiculados e, portanto, atende, muito claramente, aos interesses destes anunciantes. Ou alguém vai me dizer que já viu, num grande jornal ou na TV Globo, alguma notícia negativa a respeito do dono das Casas Bahia? Não viu e nunca vai ver. De novo, não estou dizendo que isto está certo. Mas é assim que as coisas funcionam quando a economia de mercado é exageradamente valorizada. E justamente por isso, no primeiro momento, trataram de colocar a culpa no presidente Lula (não em algum órgão do governo, mas no presidente) sem que houvesse nenhum subsídio para esta ação.

A cobertura da imprensa, aliás, em minha opinião, foi péssima. E quanto maior o órgão de imprensa, pior a abordagem. Eu, como sou meio desavisado, fiquei sabendo tarde sobre o acidente. Vi na Internet uma chamada na página da UOL e fui correndo ligar a TV. A TV Cultura e a Band News estavam ao vivo, tentando buscar e dar informações aos telespectadores. Mudei pra Globo e estava passando Casseta & Planeta. Achei meio macabro. Parece que eles foram os primeiros a noticiar, deram furo, essas coisas. Mas num momento em que muita gente estava ansiosa por informações, eles passavam um programa humorístico.

Depois, quando já havia mais informações disponíveis, descambaram para o sensacionalismo, provocando comoção e informando pouco. Acabou sendo um agente muito eficaz na tarefa de gerar revolta e indignação na opinião pública. Mas, informação, necas. E o ponto alto foi o vídeo com o gesto do Marco Aurélio Garcia e o seu subseqüente pedido de desculpas. Nenhuma utilidade tiveram estas matérias, a não ser mostrar que o cara é arrogante, coisa que todo mundo sabe.

Enfim, é como se o papel da mídia, mais do que informar, fosse formar. Conduzir.

O papel do governo

Me incomoda muito que sempre que alguém tenta defender o governo o faz comparando-o com o governo passado. Eu não tenho nenhuma dúvida que o governo Lula é melhor do que os governos FHC. E esta constatação não é só ideológica. Os indicadores econômicos e sociais mostram isto. Mas não basta. Aliás, ser melhor do que alguma coisa muito ruim não é lá um grande mérito. Mesmo porque, os governos FHC foram melhores do que o de Collor e a eleição de Collor foi um grande avanço em relação aos governos militares, até pelo fato dele ter sido eleito diretamente. E eu sou o primeiro a defender o presidente Lula quando percebo que as críticas ou as tentativas de desestabilizar seu governo são baseadas no preconceito. E isso é ideológico.

Mas a ideologia não pode nos cegar nem, muito menos, soterrar nosso senso crítico. O que ocorre é que o governo e, mais especificamente, o presidente Lula, reagiram muito mal à notícia do acidente. Ele demorou pra se posicionar, se escondendo mesmo, talvez traumatizado pela vaia do Maracanã. Vaia, aliás, que eu achei injusta. Eu não vaiaria. Aliás, não vaiaria mesmo que o presidente fosse o Alckmin. Não era oportuno.

O que acontece é que este governo tem uma grande dificuldade em gerenciar. A eleição de Lula foi uma grande vitória do PT e um acontecimento histórico numa sociedade com tão forte ranço reacionário. Foi uma vitória obtida graças a uma grande capacidade de articulação política, especialidade que Lula tem, desde os tempos do movimento sindical. O problema é que governar é metade política e metade gerenciar. E, aí, o que o governo vem fazendo é justamente manter o modelo que 8 anos de peessedebismo implantaram no Brasil, como uma chaga.

E não é admissível que, pra que alguma ação seja tomada, seja necessário que mais de 350 pessoas morram em acidentes com aviões em menos de um ano. Mesmo porque, em um ano, muito mais do que 350 pessoas morrem em acidentes com automóveis e ônibus nas esburacadas estradas brasileiras. E a única ação relevante, até agora, foi a substituição de Waldir Pires por Nelson Jobim no ministério da defesa, ocasião em que o presidente fez um dos discursos mais sofríveis de que ele já foi capaz. Um discurso em que eu me preocupei, pessoalmente, ao ouvi-lo dizer que quando entra num avião entrega a vida a deus. Preocupei-me, pois esta é uma prerrogativa que eu não tenho.

O governo Lula tem que assumir seu papel.

domingo, 22 de julho de 2007

Final de férias





Amanhã volto ao trabalho. É dura a realidade. Mas foi muito bom, enquanto durou. Agora, é esperar uma nova oportunidade.


E pra fechar com chave de ouro, nada melhor que uma comidinha boa. Nos fartamos os três, num almoço que saiu às 5 da tarde...




sábado, 21 de julho de 2007

Delícias de uma quinta-feira

O advento da internet, através das salas de bate papo, do Orkut e dos blogs, inventou um novo tipo de relacionamento: o relacionamento virtual. A tenuidade deste tipo de relacionamento sempre me incomodou. O que une as pessoas é uma rede da qual não se conhece, exatamente, as características físicas (se é que elas existem). E é assustador que a dependência tecnológica para que a relação sobreviva seja tão exagerada. Afinal, se, num determinado momento, você ficar desprovido de computador, ou o seu servidor cair, ou acabar a energia, seu elo com a outra pessoa se perde. E, por outro lado, se aquela pessoa nunca mais aparecer na sua tela, se ela não responder seus e-mails, enfim, se ela sumir do mapa, você não vai, nunca mais, saber se ela morreu, se ela decidiu te deletar da vida dela, se ela, na verdade, nem existia. Seria um nome inventado? Seria só um nick engraçado? Seria uma personagem?

Por isso, fiquei muito feliz, nesta quinta-feira, em ir almoçar em São Paulo e conhecer a Lulu. Fomos, Clélia Cecília e eu, mais uma vez, saborear o delicioso polpetone do Jardim di Napoli. Mas, deliciosa mesmo é a Lulu. Falante, inteligente, engraçada, enfim, cheia de energia e vivacidade que me encantaram. Aliás, ficamos, os três, encantados com ela. Foi uma sensação deliciosa, ver ali, em carne e osso, alguém com quem já vinha sentindo tanta empatia, através dos comentários mútuos, nos respectivos blogs. E ainda por cima, como se não bastasse tanto prazer, ela nos presenteou com a indicação de um filme excelente, que fomos ver, assim que saímos do restaurante.

Um lugar na platéia é um filme francês delicioso, cuja protagonista é a deliciosa atriz Cécile de France, que eu já conhecia de O Albergue Espanhol. O filme, pra mim, trata da liberdade. Trata da libertação de quem se sente oprimido. Não a opressão de uma pessoa por outra, talvez a mais comum e mais cruel, mas de uma opressão, também muito cruel, que é aquela exercida pelas pessoas sobre elas mesmas. A opressão provocada pelo medo de contrariar as regras, as opiniões alheias, as normas estabelecidas.

O filme mostra como esta libertação pode ser conduzida ou catalisada pela juventude. Aquela juventude que a gente, muitas vezes, perde, confundindo com o avanço da idade. A juventude representada pela protagonista do filme. A juventude que eu encontrei na Lulu.