Há idéias que têm tudo pra dar certo e outras que têm tudo pra dar errado. Executar um tipo de música como se fosse outro estilo é uma das coisas de que eu não costumo gostar. Coisas como “A música de Nei Lopes e Wilson Moreira na voz dos meninos cegos de Viena”, por exemplo. Ou então, “Os maiores sucessos dos Roling Stones interpretados pela banda do corpo de bombeiros de Nova Iguaçu”. Foi pensando nisso que eu comprei, na loja Iluminações, dois, dos quatro CDs da coleção Beatles ‘n‘ choro, em que as músicas dos Beatles são interpretadas no ritmo de chorinho. Comprei com o pé atrás e, de fato, a coisa não funcionou. O pior é que as músicas são tocadas por gente da mais alta qualidade, como Hamilton de Holanda, Paulo Sérgio Santos, Quarteto Maogani, Henrique Cazes ou Rildo Hora. Mas não deu certo. Definitivamente. Tanto que não me animei a comprar os volumes 3 e 4. Uma das poucas exceções é a gravação de The fool on the hill, tocada por Paulo Sérgio Santos.
Teimoso que sou, na mesma loja, eu vi uma outra coleção chamada BeatleJazz. Tinha tudo para evitar de cair na mesma armadilha, ainda mais que eu nunca ouvira falar nos 3 integrantes do grupo que toca as músicas. Dave Kikoski, no piano, Charles Fambrough, no baixo e Braian Melvin, na bateria. Em um dos discos ainda há participações de músicos mais conhecidos, como Toots Thielemans, tocando gaita. E apesar de estar com os dois pés atrás, acabei levando os discos pra casa. E não é que me surpreendi. E me surpreendi muito positivamente. A maioria das músicas são tratadas de maneira muito apropriada. Muito interessante.
Enfim, certas idéias têm tudo pra dar errado e no fim nos surpreendem. Por isso, às vezes, vale a pena acreditar.