2008 não. 2007 até o fim.
Em abril deste ano, escrevi um post muito emocionado em que eu falava dela, aos 93 anos, com a saúde debilitada. Falei da conversa que tivemos sobre a morte. Falei de como era nossa relação.
Este ano foi muito difícil pra ela. Ficando mais tempo em hospitais do que em casa, cada vez mais debilitada, cada vez com um problema diferente. Este ano ela não falou que não emplacaria o ano novo. Mas ninguém tinha dúvidas. Nem ela.
Acabo de voltar do seu enterro, em São Paulo. Mas a imagem de seu corpo no caixão não é a que vai ficar em minha mente. As imagens que ficarão em minha cabeça são como esta, tirada mais de quinze anos atrás:
Gosto desta imagem pois mostra bem como ela era. Ela e sua mania de esconder ovos de chocolate pra que nós os encontrássemos. Fez isso com os netos. Fez isso com os bisnetos.
Há muitas outras imagens. Muitas delas passaram em minha mente hoje. Todas ótimas de lembrar. Vão ficar estas imagens, assim como a música que ela punha na vitrola pra tocar, quando eu tinha 2 ou 3 anos.
Minha avó não vai emplacar 2008. Mas freqüentou 2007 até o último dia.


