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domingo, 7 de outubro de 2018

Conhecer e refletir sobre a história


Acabei de assistir, e recomendo, o filme Operação Final, que estreou esta semana no Netflix e mostra a estratégia utilizada para raptar, em Buenos Aires, e levar para Israel, em 1960, o criminoso de guerra Adolf Eichmann, arquiteto da Solução Final, plano de execução em massa de judeus capturados nas regiões ocupadas pelo regime nazista.

A Argentina foi o país da América que mais recebeu oficiais nazistas fugidos da justiça ao fim da segunda guerra e, com isso, manteve, durante muito tempo, com a conivência do governo local, uma enorme comunidade que cultivou e ampliou o alcance das ideias de Hitler naquele país, àquela época.

O filme é muito bem conduzido, por Chris Weitz, que tem a façanha de manter, o tempo todo, um clima de suspense, mesmo numa trama que todos, com alguma curiosidade pela história da segunda guerra, já sabem o final.

No papel do carrasco nazista, o ótimo ator Ben Kingsley, perfeitamente caracterizado e em exuberante interpretação.



Para quem tiver mais interesse pelo assunto, recomendo (disponível na Net NOW) o filme Hannah Arendt – Ideias que chocaram o mundo, com a atriz Barbara Sukowa no papel protagonista. Trata do episódio na vida desta filósofa alemã e judia quando foi, a convite da revista The New Yorker, cobrir o julgamento de Eichmann.

O resultado de suas observações teve um grande impacto na comunidade judaica mundial, predominantemente contrário a ela, já que, em lugar da esperada caracterização do personagem como um facínora monstruoso e anormal, ela identificou um homem medíocre, como qualquer outro, bastante banal, atrelado a uma burocracia de estado da qual nem mesmo pensou em questionar.



Estes escritos, misto de reportagem jornalística com reflexão filosófica, deram origem ao livro Eichmannem Jerusalém. Um Relato Sobre a Banalidade do Mal.

Sua importância para o pensamento filosófico sobre o totalitarismo é mostrar que, mais perigoso do que o surgimento de um personagem, na história, capaz de conduzir uma imensa multidão para um caminho de violência e destruição (como foi o caso de Hitler) é o fato desta manada se deixar conduzir sem questionar, sem criticar, sem reagir.

Discutir estes temas é muito importante, pois eles podem suscitar uma reflexão profunda da sociedade mundial e, sobretudo no Brasil, já que estamos, neste momento, no olho de um furacão conservador de amplitude extremada.

Um comentário:

Kátia Diniz disse...

A dica do filme veio de vocês e adorei. Ótimo filme. Agora vou ver o Hannah Arendt (tenho a impressão de que ja vi ha anos e me esqueci...)