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domingo, 7 de outubro de 2018

História repetida


Embora haja quem ainda creia que, ao estudar história, aprendemos com os erros, este ditado está, cada vez mais, desacreditado, já que vimos, sempre e sempre, os erros cometidos serem repetidos. Ou, então, estamos estudando pouco.

Hitler subiu ao poder através do voto, numa eleição democrática, a partir de um discurso baseado na intolerância e que prometia uma “reconstrução”. O discurso seduziu as massas. Assim que assumiu, empreendeu uma sistemática perseguição a determinados seguimentos da população que, de início, foram sendo segregados em guetos e, num momento posterior, foram enviados a campos de concentração, para serem eliminados. A esta estratégia se chamou de “solução final”.

Os maiores segmentos da população atingidos pela perseguição nazista foram os judeus, os esquerdistas (comunistas, socialistas, anarquistas e social-democratas) e os homossexuais. Os indivíduos de cada um destes grupos segregados eram obrigados, para andar nas ruas, a costurar, em suas roupas, um triângulo colorido que os identificava. Os judeus tinham que andar com a cor amarela, os partidários de ideias de esquerda com a cor vermelha e os homossexuais com a cor rosa. Caso algum indivíduo tivesse dois destes “defeitos”, deveria pregar triângulos com cores diferentes, o que resultava numa estrela bicolor.


Grande parte da sociedade alemã, da época, não se sensibilizou com isso, já que não fazia parte dos segmentos segregados. Hoje, todos sabemos como esta coisa terminou.

Bolsonaro adquiriu popularidade com um discurso que incita à violência, direcionada a três grupos de pessoas: os negros, os esquerdistas e os homossexuais. Aos esquerdistas, aliás, ele já propôs, mais de uma vez, o fuzilamento como solução (seria, talvez, a sua “solução final”?)

Hoje, ele concorre à presidência da república num processo eleitoral democrático, prometendo, também, uma reconstrução. Há uma chance real dele vencer a eleição.

Grande parte da sociedade brasileira, de hoje, não se sensibiliza com a violência contra os negros, contra os homossexuais e contra os que têm ideias de esquerda. Afinal, boa parte da nossa sociedade não se enquadra em nenhuma destas “categorias”.

Enfim, como já está provado que não aprendemos com os erros, é enorme a chance que a história se repita, mais uma vez.

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